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avanço científico e tecnológico, que nos trouxe muitos
questionamentos, nos colocou num conflito entre o aquilo que posso fazer
(que a tecnologia me permite) e o se devo fazer. Não há
dúvidas de que esse avanço científico chegou a uma
evidência que dispensa argumentação, mas também
não há discordâncias de que existe franca deterioração
dos padrões éticos na prestação dos serviços
médicos. Ou seja, o que ganhamos em tecnologia perdemos em humanismo.
Para não nos cansarmos com slides de textos repetitivos, vemos
agora uma imagem publicitária sobre toda essa questão que
a mídia explora tão bem e constrói, com facilidade,
grandes mitos, mostrando um belíssimo hospital, classificado como
de referência nacional, reconhecido por todos como o maior e melhor
hospital do Brasil. Vejam que ela utiliza o prédio físico
na fotografia, aqui a recepção, a hotelaria, mas sempre
falando da tecnologia. No pequeno texto há um louvor à tecnologia,
que é o que caracteriza esse hospital. Há dez anos esse
era seu tema principal, indicando a instituição como símbolo
da tecnologia e alta qualidade. Isto foi modificado e sua mais nova publicidade
está no próximo slide que nos mostra, em pequenos quadros,
a tecnologia, focaliza com a devida importância a relação
médico-paciente e, especialmente, dá relevância ao
toque de mãos nesta relação, representando o cuidado.
As diretrizes curriculares, propostas pelo Ministério da Educação
e Cultura, baseadas em um trabalho realizado ao longo de 11 anos pela
Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação
do Ensino Médico (CINAEM), deverão ser adotadas por todos
os cursos, buscando formar um médico que deverá ter postura
ética, visão humanística, senso de responsabilidade
social e compromisso com a cidadania (promoção da saúde,
prevenção de doenças). Falamos, agora, nos cursos
médicos e como disciplina, de postura ética, de visão
humanística e outros atributos que perdemos.
Entendemos que o Conselho Federal de Medicina tem um compromisso bastante
claro com a formação médica. Se fomos incompetentes
para impedir a proliferação exagerada de novas escolas médicas,
somos responsáveis, agora, pela melhor formação ética
dos egressos das antigas e novas escolas. Se elas estão aí
funcionando, a responsabilidade também nos cabe.
Temos duas resoluções de 1975. Uma mostrando que o Conselho
Federal de Medicina determina aos médicos a supervisão dos
procedimentos realizados pelos estudantes, dando conhecimento das implicações
éticas dos procedimentos e situações encontradas.
Para o ano em que foi lançada, esta resolução foi
profética. Só que essa determinação não
foi muito obedecida ao longo dos anos. No mesmo ano e dia, temos nova
resolução recomendando aos Conselhos Regionais de Medicina
a promoção de programas destinados ao ensino dos princípios
da ética médica durante o período escolar. Muitos
Conselhos fizeram isso, principalmente ao longo da década de 90,
de maneira incipiente, mediante convênios com algumas escolas de
Medicina. Atualmente, são experiências realmente iniciais,
vindas de professores que se dedicaram, individualmente, a um projeto,
ensinando essa disciplina a seus alunos.
 
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