RESOLUÇÃO CFM 1.670/03

(Publicada no D.O.U. 14 JUL 2003, SECAO I, pg. 78 )

 

Sedação profunda só pode ser realizada por médicos qualificados e em ambientes que ofereçam condições seguras para sua realização, ficando os cuidados do paciente a cargo do médico que não esteja realizando o procedimento que exige sedação.

 

O Conselho Federal de Medicina, no uso das atribuições que lhe confere a Lei n° 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e,

CONSIDERANDO a importância do ambiente e da qualificação do pessoal envolvido para a realização de procedimentos diagnósticos e terapêuticos sob sedação ou anagelsia, com uso de medicamentos para o conforto, alívio da dor e abolição de reflexos indesejáveis;

CONSIDERANDO o uso de drogas ou combinações de drogas que apresentam efeitos sobre o sistema nervoso, cardiovascular e respiratório;

CONSIDERANDO como prioritária a segurança do paciente durante o procedimento e após sua realização;

CONSIDERANDO a necessidade de se criar normas que definam os limites de segurança com relação ao ambiente, qualificação do pessoal, responsabilidades por equipamentos e drogas disponíveis para o tratamento de intercorrências e efeitos adversos;

CONSIDERANDO o que dispõem as Resoluções CFM nºs. 1.363/93 e 1.409/94;

CONSIDERANDO, finalmente, o decidido na Sessão Plenária de 13 de junho de 2003,

RESOLVE:

Art.1° - Nos ambientes em que se praticam procedimentos sob “sedação consciente” ou níveis mais profundos de sedação, devem estar disponíveis:

 I.Equipamentos adequados para a manutenção da via aérea permeável, bem como a administração de oxigênio em concentração superior à da atmosfera;

II.Medicamentos para tratamento de intercorrências e eventos adversos sobre os sistemas cardiovascular e respiratório;

 III.Material para documentação completa do procedimento, devendo ficar registrado o uso das medicações, suas doses e efeitos;

IV.Documentação com critérios de alta do paciente.

Parágrafo 1°- Deve-se dar ao paciente e ao acompanhante, verbalmente e por escrito, instruções relativas aos cuidados sobre o período pós-procedimento, bem como informações para o atendimento de emergências eventuais.

Parágrafo 2°- Todos os documentos devem ser assinados pelo médico responsável.

 Art. 2°- O médico que realiza o procedimento não pode encarregar-se simultaneamente da administração de sedação profunda/analgesia, devendo isto ficar a cargo de outro médico.

 Art. 3° - Todas as unidades que realizarem procedimentos sob sedação profunda devem garantir os meios de transporte e hospitais que disponham de recursos para atender a intercorrências graves que porventura possam acontecer.

 Art.  4° - Os anexos I e II fazem parte da presente resolução.

 Art. 5º - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

 

Brasília-DF, 13 de junho de 2003

 

 

 

                      EDSON DE OLIVEIRA ANDRADE                                         RUBENS DOS SANTOS SILVA

                                       Presidente                                                                        Secretário-Geral


ANEXO I

 

DEFINIÇÃO E NÍVEIS DE SEDAÇÃO

 

 

Sedação é um ato médico realizado mediante a utilização de medicamentos com o objetivo de proporcionar conforto ao paciente para a realização de procedimentos médicos ou odontológicos. Sob diferentes aspectos clínicos, pode ser classificada em leve, moderada e profunda,  abaixo definidas:

 

Sedação Leve é um estado obtido com o uso de medicamentos em que o paciente responde ao comando verbal. A função cognitiva e a coordenação podem estar comprometidas. As funções cardiovascular e respiratória não apresentam comprometimento.

 

Sedação Moderada/Analgesia (“Sedação Consciente”) é um estado de depressão da consciência, obtido com o uso de medicamentos, no qual o paciente responde ao estímulo verbal isolado ou acompanhado de estímulo tátil. Não são necessárias intervenções para manter a via aérea permeável, a ventilação espontânea é suficiente e a função cardiovascular geralmente é mantida adequada.

 

Sedação Profunda/Analgesia é uma depressão da consciência induzida por medicamentos, e nela o paciente dificilmente é despertado por comandos verbais, mas responde a estímulos dolorosos. A ventilação espontânea pode estar comprometida e ser insuficiente. Pode ocorrer a necessidade de assistência para a manutenção da via aérea permeável. A função cardiovascular geralmente é mantida. As respostas são individuais.

 

Observação importante: As respostas ao uso desses medicamentos são individuais e os níveis são contínuos, ocorrendo, com freqüência, a transição entre eles. O médico que prescreve ou administra a medicação deve ter a habilidade de recuperar o paciente deste nível ou mantê-lo e recuperá-lo de um estado de maior depressão das funções cardiovascular e respiratória.

 

 

ANEXO II

 

 

 EQUIPAMENTOS DE EMERGÊNCIA E REANIMAÇÃO

 

 

Oxigênio

 

·   Sistema para fornecimento de oxigênio a 100%

 

Aspirador

·   Sistema para aspirar secreções

·   Sondas para aspiração

 

Manutenção das Vias Aéreas

·   Máscaras faciais

·   Máscaras laríngeas

·   Cânulas naso e orofaríngeas

·   Tubos endotraqueais

·   Laringoscópio com lâminas

 

Monitores

·   Oxímetro de pulso com alarmes

·   Monitor cárdiaco

·   Aparelho para medir pressão arterial

 

 

Equipamentos para

Reanimação e Medicamentos

·   Balão auto-inflável (Ambu)

·     Desfibrilador

·   Drogas para a reanimação

·   Antagonistas: Naloxone, Flumazenil

·   Impressos com protocolos para reanimação (tipo ACLS)