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PARECER Nº 1890/2007 CRM-PR

PROCESSO CONSULTA N. º 090/2007– PROTOCOLO N.º 13295/2007

ASSUNTO: PEELING

PARECERISTA: CONS. EWALDA VON ROSEN SEELING STAHLKE

 

 

 

EMENTA: Competência para realização de peeling.

 

CONSULTA

Em documento encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do  Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, solicita informações se é da competência exclusiva dos médicos o uso do peeling a seguir relacionados e que são citados em matéria jornalística: Ácido Glicólico, Ácido Mandélico ou Amêndoas Amargas, Rubi, Vitamina C, Melan-Off, Diamantes, Plãncton Thermal e Cosmepeel.

 

FUNDAMENTAÇÃO E PARECER

           

  Em resposta ao Ofício encaminhado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional do Paraná à  Diretoria de Vigilância Sanitária sobre a quem compete  a realização de peeling.

A palavra peeling significa despelar, descascar. Na antigüidade, era realizado com pedra pome, barro, algas, ácido cítrico, ácido lático (leite), ácido tartárico (vinho).

O peeling ou quimiocirugia é um procedimento médico, que utiliza drogas cáusticas para tratamento de inúmeras lesões cutâneas, através da esfoliação química, que provoca  eritema e descamação, é uma queimadura controlada, que produz excelentes resultados quando bem indicado, a profundidade varia conforme o produto, o tipo de pele e o objetivo do tratamento. Implica, portanto, em diagnóstico prévio. Há contra-indicações, riscos e efeitos adversos que o aplicador deverá saber reconhecer e manejar, sejam máculas hiper ou hipocrômicas, queimaduras, fotossensibilização, cicatrizes, ou infecções secundárias, entre outras.

Até no peeling superficial, onde  a pele  descama levemente em poucos dias, peles muito sensíveis podem ficar irritadas.

 

 

Na matéria citam os seguintes peelings:  ácido glicólico, ácido ascórbico, ácido mandélico,  rubi,  diamante,  Plâncton Thermal e kosmepee, que resumidamente esclarecemos:

1. ácido glicólico, que pode ser aplicado em várias concentrações, e que na dependência desta resultarão em peelings  superficiais ou médios

2. ácido mandélico ou amêndoas amargas, que produz descamação superficial.

3. ácido ascórbico ou  vitamina C, que resulta em descamação superficial, habitual em concentração de 20%.

4. rubi - gel esfoliante com cristais de rubi e ativos clareadores – ação semelhante a microesferas de qualquer outro produto, que não penetra na pele, age como lixa, costuma ser preparado, até pelo próprio aplicador

5. diamante – usa microesferas de diamante, ação de esfoliação leve, age como lixa

6. Mellan-off®  - tratamento despigmentante e anti-idade,que utiliza os  complexos Alphawhite Complex e Fluido HPG  que contem  vitamina C, ácido kójico e outras substâncias

7. Plâncton Thermal – material orgânico extraído do fundo dos lagos europeus, parece agir como hidratante

8. Kosmepeel – termo usado para designar o uso de vários ácidos, não especificados

 

 Os peelings são classificados em:

1-  Peelings superficiais: usados em manchas e para dar brilho à pele

2- Peelings médios: tem maior penetração na pele, são usados na tentativa de diminuir rugas superficiais e lentigos  solares, de  renovar  a pele fotoenvelhecida, e de corrigir  cicatrizes superficiais de acne

3 - Peelings profundos:  usados em rugas e cicatrizes de acne mais profundas.

 

  Indicações:


                        Estes tratamentos são indicados para casos de fotoenvelhecimento, sardas, manchas solares, asperezas, cicatrizes de acne, rugas de desidratação (peelings superficiais) e rugas de expressão (peelings profundos). Os superficiais não diminuem a flacidez.

 Um exame microscópico pós peeling mostra que aumentam a atividade das células na epiderme, a circulação na derme e a neoformação de colágeno.

 

 

Deve-se ter especial cuidado, entre outros com:

 

1- Pessoas morenas que tem potencial de manchar a pele, mesmo que temporariamente.                                                                                                                           

2- Áreas fora da face, como  pescoço, costas e membros superiores, cuja recuperação costuma ser muito mais difícil e, se o peeling for profundo, pode até  ocorrer piora.

3- Pode haver  ativação de herpes em pacientes  com história prévia 

4- Pacientes que fizeram uso de isotretinoína via oral há menos de um ano

5- Infecção secundária

6- Cardiopatia

 

Pelo exposto conclui-se que a avaliação ou diagnóstico da pele e a indicação terapêutica, são procedimentos médicos, o peeling ou esfoliação é uma estratégia terapêutica, que embora esteja banalizada, apresenta contra-indicações e riscos potenciais, portanto, é um  ato exclusivo de médico.

 

É o parecer, smj,

          

Curitiba, 11 de novembro de 2007.

 

Cons. EWALDA VON ROSEN SEELING STAHLKE

Parecerista

 

Aprovado em Reunião Plenária n.º 1.975ª, de 20/11/2007 – CÂM I.