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PENSAR
E DIZER
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"AS APLICAÇÕES ÉTICAS E PRÁTICAS DOS PROGRESSOS DA GENÉTICA ESTÃO ESTENDENDO-SE PARA ALÉM DA ÁREA DAS DOENÇAS GENÉTICAS CLÁSSICAS - PROVINDAS DO PROCESSO DE REPRODUÇÃO HUMANA, CONCRETIZADAS EM ABORTOS ESPONTÂNEOS, NATIMORTALIDADE OU NATIVIVOS COM DOENÇAS GENÉTICAS. RECENTEMENTE, OUTROS AVANÇOS FORAM INCORPORADOS, TAIS COMO NOVOS TRATAMENTOS NA GENÉTICA MÉDICA CLÁSSICA, GERALMENTE O USO DE ENZIMAS MODIFICADAS PARA OS ERROS INATOS DO METABOLISMO. NA ÁREA DE ONCOGENÉTICA, O EXAME CITOGENÉTICO TORNOU-SE ESSENCIAL NO DIAGNÓSTICO E SEGUIMENTO DO TRATAMENTO DAS LEUCEMIAS" |
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| Atualmente,
vivenciamos o "admirável mundo novo" da Revolução
Genética. Mas será que, realmente, as aplicações
éticas advindas do domínio das novas técnicas dela
decorrentes minorarão o sofrimento gerado com o nascimento de uma
criança portadora de doença genética? Esperamos que
sim. Para a Medicina, a Genética viabiliza a possibilidade de maior controle sobre as conseqüências causadas por mutações no DNA ou cromossomos. Representa a melhor metodologia de esclarecimento causal na área das deficiências, pois suas técnicas, quando bem aplicadas, no nível clínico, genealógico ou laboratorial, revelam claramente o fato endógeno gerador da condição clínica e, por outro lado, ao negarem o envolvimento de genes ou cromossomos, possibilitam uma avaliação mais dirigida ao fator não-genético (ambiental), estimulando melhor avaliação, entendimento e controle. Segundo o Unicef, uma em cada 10 crianças é deficiente e 190 milhões de crianças no mundo estão nessa situação, das quais cerca de 150 milhões nos países não-desenvolvidos. Considerando-se o envolvimento do fator genético em torno de 50% das deficiências mentais severas e que o fator ambiental é o de maior importância na geração dos deficientes leves - para os quais há freqüentemente um risco aumentado de que tal condição se repita nos seus descendentes -, amplia-se a responsabilidade dos profissionais de saúde. Não mais se admite que mesmo nas instituições que promovem as prevenções terciárias programas de detecção das causas de deficiências e o necessário esclarecimento e educação sobre medidas preventivas primárias e secundárias não estejam englobados no atendimento às crianças, adolescentes ou adultos deficientes e suas famílias - medidas necessárias não apenas para esse público, mas para toda a população em fase reprodutiva. O relatório final da Comissão Mista de Especialidades Médicas criada pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Comissão Nacional de Residência Médica referendou a Genética Médica como especialidade. Este fato, além de consolidar os programas de formação de médicos geneticistas, certamente contribuirá para que os formandos da área sintam-se mais estimulados a dedicarem-se às deficiências e doenças mentais, e a se engajarem em sua prevenção e tratamento. O que o Brasil precisa é que suas autoridades e profissionais de saúde efetivamente discutam os novos conhecimentos e orientações trazidos pelas ciências que estudam os deficientes, para aplicação imediata, tais como: |
1.
Necessidade de campanhas educacionais sobre os fatores de risco para deficiências.
Por exemplo, controle do uso de álcool por mulheres gestantes;
vacinação, contra a rubéola, das mulheres em período
fértil e o controle, nas mesmas, do uso de teratógenos como
Talidomida, Misoprostol e Tretinoína; |
Vários
destes conhecimentos são há muito conhecidos, mas alguns
são recentes, como o uso de ácido fólico, a translucência
nucal, os riscos da ICSI. A introdução destas práticas
nos serviços de saúde pode evitar mais um importante índice
de descaso com a saúde pública: o 1o lugar na prevalência
de deficiências congênitas.
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