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Novo
Portal
À
noite, o CFM fez o lançamento do seu novo Portal Médico
na Internet. A nova página, desenvolvida há seis meses pelo
Centro de Informática do Conselho, tem como objetivos abrir novas
e melhores perspectivas de prestação de serviços
para os Conselhos Regionais de Medicina, para a classe médica e
para a sociedade. Edson Andrade, presidente do CFM, convidou todos os
médicos para que o acessem e verifiquem suas possibilidades - inclusive
a de obter um endereço eletrônico (seunome@cfm.org.br) que
pode ser acessado de qualquer lugar e qualquer máquina - e afirmou
que para o CFM "é fundamental colocar ao alcance dos médicos
e da população em geral mais serviços e facilidades
de obtenção de informações, pois hoje a Internet
se mostra como um dos campos mais favoráveis para que isto ocorra".
Outra meta do CFM ao lançar
o novo Portal Médico é fortalecer a comunicação
dos CRMs das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, oferecendo
meios e ferramentas para que desenvolvam e/ou aprimorem seus próprios
sites.
O Portal Médico do CFM traz
também, além de novo layout, uma nova gama de prestação
de serviços para os internautas.
1)
Serviços para a população:
Ao
clicar em DENÚNCIAS, o internauta tem acesso a um formulário
no qual pode encaminhar queixas contra algum possível mau
procedimento médico. Após preencher o formulário,
seguindo as orientações disponíveis no site,
basta imprimir o documento e encaminhá-lo para o Conselho
Regional de Medicina do seu estado.
A seção PROCURA POR
MÉDICO serve ao paciente que deseja informações
sobre o médico que o assiste. Lá, digitando o nome
do médico e o estado onde atua, o internauta obtém
a certificação da sua especialidade profissional
e seu CRM, além de ver se o cadastro do profissional está
ativo ou não.
Quem precisar saber números
relativos à quantidade de médicos no Brasil, para
subsidiar pesquisas, reportagens e outros documentos, basta entrar
em ESTATÍSTICAS e verificar os médicos ativos e
inativos em cada unidade da Federação.
Na área reservada à
LEGISLAÇÃO encontra-se, para consulta, o Código
de Ética Médica, o Código de Processo Ético-Profissional,
decisões judiciais, decretos, leis, pareceres, resoluções
e as especialidades médicas reconhecidas pelo CFM.
Para que se possa fazer DOWNLOAD,
estão disponíveis documentos e informações
prontos para ser copiados e reproduzidos pelos internautas, tais
como o Código de Ética Médica, o Manual de
Procedimentos Administrativos dos Conselhos de Medicina, a relação
completa de endereços e telefones do Conselho Federal e
dos Conselhos Regionais de Medicina.
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2)
Serviços exclusivos para os médicos:
O serviço 2ª VIA DE
ANUIDADE destina-se apenas aos médicos, possibilitando-lhes
a oportunidade de emitir novo boleto bancário para realizar
o pagamento de sua contribuição ao Conselho.
Outro serviço importante
que o CFM quer disponibilizar para todos os médicos é
um e-mail próprio. Ao clicar em CFM-MAIL, o médico
poderá acessar sua caixa de mensagens em qualquer lugar
do mundo - para tanto, basta se cadastrar no Portal Médico.
Outra novidade do Portal é
a criação de um INFORMATIVO ELETRÔNICO voltado
para o médico, que para recebê-lo deve cadastrar
seu e-mail no site.
Em OFERTA DE EMPREGO, o Portal Médico
também disponibiliza oportunidade profissional para médicos
de todo o Brasil.
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Remuneração
e mercado de trabalho em discussão
As
discussões do segundo dia do II Encontro Nacional dos Conselhos
de Medicina do Ano 2002 começaram com um painel sobre a remuneração
e o mercado de trabalho médico no Brasil.
Como expositores, participaram o secretário
de Assistência à Saúde, do Ministério da Saúde,
Renilson Rehen de Souza, o diretor da Confederação Médica
Brasileira, Waldir de Araújo Cardoso, o presidente da Federação
Nacional dos Médicos, Heder Murari Borba, o diretor de Saúde
Pública da Associação Médica Brasileira, Samir
Dahas Bittar, e o 2 ° vice-presidente do CFM, Marco Antônio
Becker.
Segundo Renilson Rehen, o médico
se depara, hoje, com dois grandes obstáculos no mercado de trabalho:
a tecnologia e o financiamento. Em sua visão, grande parte dos
médicos no país está "a reboque" das novas
tecnologias empregadas na medicina. O desenvolvimento tecnológico
provocou radical transformação nas relações
de trabalho do médico e muitos profissionais, por não possuírem
a necessária qualificação para lidar com as novas
exigências, ficam à margem das melhores oportunidades de
trabalho.
Outro problema levantado por Renilson Rehen
foi a falta de recursos para o financiamento da saúde. Mesmo com
a implantação da lei do Sistema Único de Saúde
(SUS), que divide as responsabilidades e o financiamento das ações
de saúde entre a União, estados e municípios, os
recursos destinados à área ainda não são suficientes
para atender as demandas, nem para remunerar adequadamente o médico.
Para o presidente da Federação
Nacional dos Médicos (Fenam), Heder Murari Borba, a maior dificuldade
que o médico atualmente enfrenta no mercado de trabalho é
a falta de unidade política da classe. Segundo ele, as ações
das entidades médicas são muito diversas e dispersas, "talvez
por isso não tenham tanta força e não produzam os
efeitos esperados pela classe médica".
Para a efetiva promoção de
avanços na busca de melhor remuneração e melhores
condições de trabalho para os médicos, a Fenam propõe
que a comunicação entre as entidades médicas aumente
e que o movimento médico se una em torno de bandeiras de luta comuns,
tais como:
* garantia de ampliação de recursos para a saúde
no orçamento federal;
*garantia do direcionamento de recursos para o trabalho médico;
*formação de um movimento nacional visando "globalizar"
a reivindicação de reajuste de valores na Tabela SUS;
*avaliação de novas formas de trabalho com regulação
das contratações no Programa Saúde da Família;
*defesa e fortalecimento da Residência Médica, com reajuste
da bolsa pelo MEC;
*apoio vigoroso à nova LPM, que regule o mercado de saúde
suplementar;
*fortalecimento da articulação dos médicos no Mercosul;
*estreitamento de laços com a Unimed, CFM e AMB, discutindo pauta
e agenda nacional comum;
*unificação do piso nacional dos médicos, procurando
nivelar o regime de contratação público e CLT;
*defesa dos aspectos liberais da profissão médica e fortalecimento
do cooperativismo médico.
O diretor de Saúde Pública
da AMB, Samir Bittar, foi outro expositor que destacou a importância
da atuação conjunta das entidades médicas como forma
de melhorar as condições de trabalho do médico. Ao
listar alguns dos problemas hoje enfrentados - aumento das escolas médicas,
causando prejuízo na formação do médico; aumento
na demanda de leitos e de atendimento; atrasos nos pagamentos e má
remuneração dos médicos por parte das operadoras
de saúde; falta de reajustes na tabela de honorários médicos;
prática do managed care - Samir defendeu a necessidade da mobilização
conjunta das entidades médicas em defesa dos interesses da categoria.
Afirmou, ainda, que a ação
unificada das entidades médicas poderia intervir, por exemplo,
na regulamentação da relação entre médicos
e operadoras, no fazer valer o respeito pelas tabelas de honorários
médicos e na liberdade de atuação do médico
como profissional liberal.
"Falta ética nas relações
que regulam o mercado de trabalho e a remuneração médica",
este foi o ponto de vista defendido pelo 2° vice-presidente do CFM,
Marco Antônio Becker, ao participar do painel.
Para Becker, a causa principal da má
remuneração do médico e das condições
inadequadas de trabalho no SUS é a discrepância entre o direito
constitucional à universalidade do atendimento e os recursos destinados
à saúde. Segundo ele, "o Brasil é um dos países
que menos aplica em saúde pública per capita".
Outro problema apontado por Becker é
a falta de respeito e compromisso por parte das operadoras de planos de
saúde. "Os valores cobrados pelo médico, que deveriam
estar em função do poder aquisitivo do paciente, estão
em função da capacidade agenciadora do convênio que
intermedia o trabalho do médico visando apenas o lucro", disse.
Segundo o conselheiro, nos últimos seis anos as mensalidades dos
planos de saúde aumentaram 230%, em média, enquanto o médico
não teve nenhum aumento e muitas vezes sofreu decréscimo
no pagamento recebido das operadoras de planos de saúde.
Outra questão levantada por Becker
é pertinente à educação médica no país,
que hoje enfrenta muitos problemas:
*excesso de faculdades de Medicina;
*criação de universidades e faculdades isoladas por imposição
política;
*política de bolsas de estudo x ensino oficial gratuito;
*ensino de graduação deficitário;
*falta de vagas nas Residências Médicas;
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*professores
com salários defasados;
*falta de professores com horário integral;
*ausência de professores graduados nas salas de aula e enfermarias.
O somatório de todas estas deficiências
no processo de formação do médico acabam por gerar
profissionais despreparados, aumento de erros médicos e de demandas
judiciais, além do conseqüente rompimento da relação
médico-paciente.
Como proposta de resolução
desses problemas, Becker propôs ao plenário a arregimentação
de forças para conseguir os recursos necessários ao cumprimento
constitucional de investimentos em saúde; que nenhum médico
deve se submeter a trabalhar abaixo de valores mínimos fixados
por tabela da AMB ou assemelhada; e que a formação de profissionais
médicos seja compatível com a absorção no
mercado de trabalho.
"Cada município ou microrregião,
através de assembléias locais, deve decidir os valores do
preço vil, abaixo do qual, eticamente, ninguém deve se submeter
" concluiu.
Em
defesa do ato médico
O
segundo painel de discussões da quinta-feira abordou a defesa do
ato médico. Participaram da coordenação das discussões
o conselheiro federal Mauro Brandão Carneiro e o vice-presidente
do CRM/BA, Jorge Raimundo de Cerqueira e Silva. Foram expositores do tema
o diretor da Confederação Médica Brasileira, Waldir
de Araújo Cardoso, o secretário-geral da Federação
Nacional dos Médicos, Marlonei Silveira dos Santos, o diretor de
Saúde Pública da AMB, Samir Bittar, e o presidente do CRM
de Alagoas, Emmanuel Fortes S. Cavalcanti.
Para Waldir Cardoso, a defesa do ato médico
é prática estreitamente ligada à atuação
dos Conselhos e decorre da "visão de mercado dos dias atuais,
que trata a saúde como mercadoria". Para ele, as ações
diagnósticas e terapêuticas não devem ser compartilhadas
com os outros profissionais de saúde. Ao defender o campo de trabalho
de sua profissão, "o médico não está
agindo com corporativismo ou intenção de fazer reserva de
mercado. Ao defender uma lei que defina o que é o ato médico,
o profissional está agindo com responsabilidade, pois busca qualidade
e segurança no atendimento prestado à população
brasileira", afirmou.
Para Marlonei Santos, a defesa do ato médico - por meio da proposição
de que a Resolução CFM n° 1.627/2001 se transforme em
lei - é o caminho mais adequado para acabar com as divergências
na atuação médica com as outras profissões
da área de saúde.
"É inconcebível sabermos
que óticas funcionem com a prescrição de optometristas
e não de oftalmologistas; que técnicos de enfermagem realizem
sessões de fisioterapia sem acompanhamento de fisiatra; que unidades
básicas de saúde contem com enfermeiros fazendo visitas
domiciliares, prescrevendo e solicitando exames médicos; tudo porque
não contamos com o objeto de nossa profissão definido por
lei", declarou. A aprovação do Projeto de Lei 25/2002
- que define o ato médico -, de autoria do senador Geraldo Althoff
(PFL-SC), colocaria um ponto final nas divergências entre o campo
de atuação dos médicos e o dos demais profissionais
de saúde, além de proporcionar à população
um ganho no atendimento na área de saúde, considerou.
Por sua vez, Samir Bittar defende que a
definição em lei do que efetivamente é ato médico
é essencial para amparar a atuação profissional do
médico. "Uma legislação clara sobre qual é
a competência do médico tornará mais fácil
o julgamento dos casos de erros médicos que vão parar na
Justiça comum, além de atender aos interesses dos estabelecimentos
de saúde que, hoje, respondem solidariamente pela má prática
médica", disse.
Samir concluiu sua participação
no painel afirmando que a Associação Médica Brasileira
"entende o ato médico como sendo, principalmente, um instrumento
social para resguardo da sociedade, mais do que um meio de defesa da classe
médica".
O presidente do CRM/AL, Emmanuel Fortes
Cavalcanti, abriu sua exposição dizendo que "o médico
não pode abster-se de suas responsabilidades, deixando que atos
de sua exclusiva competência sejam executados sem sua expressa anuência
ou autorização". Assim, "a definição
em lei do que é ou não competência do médico
faz-se urgente", afirmou.
Segundo o conselheiro Emmanuel Fortes, a
aprovação da lei do ato médico é necessária
para agregar valor à prática da medicina, pois a profissão
está em crise. "Baixos salários, críticas e
acusações levianas, péssimas condições
de trabalho, exploração do profissional liberal pelas operadoras
de planos de saúde, longas jornadas de trabalho, ausência
de repouso ou férias, baixo envolvimento com os ciclos de atualização
científica. Todos estes fatores estão deixando o médico
vulnerável em seu campo de atuação profissional",
exclamou. Em sua visão, "a definição legal do
que é ato médico resgataria a auto-estima da profissão
e orgulho profissional da classe e, principalmente, poria um ponto final
na invasão e na ilegalidade patrocinada por outros conselhos profissionais".
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