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Manifesto
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OS MÉDICOS E A SAÚDE NO
BRASIL A saúde do povo brasileiro acumula
fortes mazelas, diante das quais é impossível calar. Cumpre,
assim, a cada entidade representativa, a cada autoridade e a cada cidadão
empenhar o melhor de seus esforços não só na denúncia
da crise, mas também na procura de soluções para
a mesma. Declaramos assim adesão irrestrita às seguintes diretrizes doutrinárias e operacionais referentes às mudanças que devem ser realizadas: 1. Entendemos a crise da saúde não apenas como questão financeira embora seja este um aspecto relevante; componentes institucionais (dicotomia e fragmentação do sistema de atenção) e ideológicos (reduzida motivação dos usuários e mesmo dos trabalhadores do sistema devem ser levados em consideração nas medidas corretivas que defendemos. 2. Defendemos intransigentemente o SUS ? Sistema Único de Saúde seus termos essenciais, como estão na Constituição Federal de 1988 universalidade, integridade, equidade, relevância pública, participação social e descentralização. 3. Colocamo?nos, como médicos atores fundamentais e legítimos na assistência médica da população, sem impedimento da participação outras profissões de saúde e demais segmentos sociais, no processo luta política pelo aprimoramento do Sistema de Saúde no país, pelo defendemos a restauração do diálogo entre a nossa Profissão, o Estado, e a Sociedade. 4. Denunciamos que a saúde não tem sido prioridade dos governos três esferas, inclusive do Governo Federal, o que se constata pelos orçamentos públicos para a saúde aquém das necessidades sociais. 5. Defendemos um novo modelo assistencial em saúde, incorporando aproximação, o vínculo entre profissionais e usuários, fortalecendo humanismo e a ética na relação médico?paciente. 6. Defendemos, da mesma forma, um novo modelo de gestão que incorpore a qualidade; a resolutividade; o compromisso social dos serviços participação dos trabalhadores e usuários, com preservação da lógica da relevância públicas. 7. Denunciamos, particularmente, como um dos aspectos negativos mais perversos do SUS, a desvalorização do profissional médico. 8. Aceitamos e Incentivamos a participação social ampla na formulação na avaliação da política de saúde, de forma a incorporar os diversos segmentos sociais, sem qualquer monopólio do saber de grupos e profissões. 9. Enfatizamos, particularmente, a necessidade da construção
de novas bases para o exercício profissional médico, que
contemple o uso racio- 10. Defendemos a presença do Estado na gestão do Sistema de Saúde, por meio de seus papéis intransferíveis de redistribuição de recursos, garantia da equidade, defesa dos interesses coletivos e regulação das relações com os prestadores privados. 11. Apontamos a necessidade, cada vez mais intensa, de um expressivo esforço de qualificação e profissionalização da força de trabalho em saúde, seja do ponto de vista gerencial ou assistencial; na formação graduada e extra graduada; em serviço e fora dele. 12. Manifestamos nossa preocupação e nosso compromisso de participar dos processos de mudança das distorções da formação médica, tendo como referência a pauta já defendida pelo CFM: maior vinculação ao Sistema de Saúde; ênfase nas discussões éticas e referentes ao compromisso social; enfrentamento da questão tecnológica com senso de realidade; atenuação do hospitalismo; estímulo às novas bases da relação médico paciente. 13. Manifestamos, acima de tudo, nosso compromisso de médicos
com a luta pela cidadania, exigindo, sob a égide do princípio
essencial da Defesa da Vida, a implementação do Sistema
Único de Saúde nos termos determinados pela Constituição
Federal de 1988.
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