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O Conselho Federal de Medicina, em 1997
iniciou um processo de discussão com seus Conselhos Regionais,
lideranças médicas, professores, gestores e parlamentares
que militam na saúde, com objetivo de elaborar um diagnóstico
atual como, também, apresentar propostas e reflexões, uma
vez que estávamos no período denominado "ano da saúde"
pelo Governo Federal.
Foram coletados documentos de diversos setores e ocorreram discussões
em vários fóruns realizados durante o ano de 1997. Havia
a preocupação do CFM em envolver profissionais médicos
com visões diferenciadas sobre o atual projeto político
que está em curso no País, de forma que pudessem garantir
a diversidade de opiniões e maior representatividade deste trabalho.
Chamou-nos a atenção, no entanto, a similaridade das avaliações
sobre a situação da saúde no Brasil e o discurso
hegemônico de apoio ao Sistema Único de Saúde. Algumas
variáveis surgiram na discussão dos modelos de gestão
e assistenciais, mas o SUS foi referendado como uma concepção
correta para as necessidades da população brasileira.
A transformação do ensino médico para se adequar
a uma prática mais humanística e ética do exercício
da Medicina, foi apontado como um dos pontos prioritários, aliada
a uma urgente política de recursos humanos que possibilitasse viabilizar
um novo pacto dos profissionais de saúde com o SUS.
O Brasil vive hoje grave crise econômica por variados motivos que
deterioram inclusive a inter?relação internacional, com
efeitos nefastos sobre a população que demanda maior atenção
governamental para as políticas sociais. Entendemos que esta visão
essencialmente monetarista em detrimento, principalmente da educação
e saúde deve ser questionada por todos e o CFM tenta apontar, neste
trabalho, provocações desta discussão com a sociedade
e alternativas de solução.
O uso abusivo de tecnologia, o modelo hospitalocêntrico e a excessiva
fragmentação da prática especializada foram reitorados
objetos de discussão, mas nenhum item foi tão consensual
como o inadiável estabelecimento de fontes estáveis e permanentes
de financiamento para o setor saúde nos diversos níveis
de governo. Divulgamos, portanto, este trabalho à sociedade em
geral não com a
pretensão de apresentar propostas inusitadas, mas sim de reafirmar
pontos que se mantém consensuais, bem como alternativas de solução
de problemas, esperando que tais contribuições auxiliem
na propositura maior de que todos os anos, realmente, proporcionem mais
saúde para o povo brasileiro.
Agradecimentos:
À Equipe Técnica comprometida com a execução
deste trabalho, mais especialmente ao Dr. Flávio A. de Andrade
Goulart e Dr. Gilson de Cássia M. Carvalho, o nosso agradecimento
pela competência, dedicação e denodo.
Este trabalho somente foi possível com a participação
efetiva de ilustres profissionais de variadas áreas de atuação
que, pela sua abnegação, seriedade e clareza de propostas
nomeamos e agradecemos: Dr. Armando Martinho Bardou Raggio, Dra. Elisa
Vianna Sá, Dr. Jamil Haddad, Dr. Davi Capistrano, Dr. Hésio
Cordeiro, Dr. Carlile Guerra de Macedo, Dr. Paulo Amarante, Dr. Carlos
Eduardo Ferreira, Dr. José Luiz Spigolon, Profª Maria Helena
Machado, Dr. Dario Birolini, Dr. Vicente Amato Neto e Dr. Mário
Rigato.
Agradecemos, ainda, aos parlamentares presentes aos nossos debates pela
sua demonstração de comprometimento com as políticas
sociais: Deputado José Aristodemo Pinotti, Deputado José
Elias Murad, Deputado Paulo Delgado, Deputado Sérgio Arouca, Deputada
Jandira Feghali, Deputado Carlos Magno.
Waldir Paiva Mesquita
Presidente
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