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Estrutura dos Nomes dos Portugueses por ocasião das descobertas Preliminarmente, convém recordar que depois da derrota dos cartagineses, dos celtas, dos íberos e e dos lusitanos, o Império Romano tornou-se a única influência cultural na Península Ibérica. E, embora isto variasse muito de lugar para lugar, pode-se dizer que à época da ibéria sob hegemonia visigoda, ao menos nas famílias socialmente mais destacadas, os nomes das pessoas constavam de três, quatro ou cinco elementos, a saber: 1. o prenome,
Nome individual que designa especificamente uma pessoa dentro do grupo familiar mais imediato e pelo qual ela é designada na intimidade.
Designação que se acrescentava ao nome, na antiga Roma, como uma invocação religiosa, dos Anjos, de Deus; também podia gazer referência a uma circunstância do nascimento, como Nonato, ou uma alcunha indicativa de peculiaridade individual,<$FÉ curioso que as palavras sobrenome e apelido, no Brasil, trocaram de significação, de tal modo que, atualmente, um significa o que o outro significava antigamente.> o Gago, o Coxo, o Magnífico, o Venturoso. Só muito mais tarde a expressão sobrenome passou a significar nome de família por ter servido para designar todo o grupo familiar.
Expressa-se pelo nome do pai no plural (que resultou do processo histórico-cultural de aportuguesar o sufixo genitivo latino ci), indicativo de filiação. O patronímico é o primeiro recurso de incluir uma informação relacional no nome de alguém. Constitui uma clara referência a quem é ou era o pai da pessoa que o empregava; destarte, Martins significa filho de Martim, Rodrigues, filho de Rodrigo, Gonçalves, filho de Gonçalo, Alves, filho de Alvo, Álvares, filho de Álvaro, e assim por diante, o patronímico foi empregado durante toda a Idade Media, começando a se transformar em nome de família aí pelo Renascimento. O patronímico indica a filiação da pessoa pela declaração do nome individual do genitor, a designaçãopaterna, sendo um recurso típico da cultura patriarcal. É característico da culturamachista que a herança de bens e honras se faça pela linhagem do pai, enquanto a escravidão ea servidão são transmitidas por via materna.
Durante muitos
séculos, apelido significou unicamente o que denominamos hoje sobrenome
ou nome de família, só um tanto recentemente, no Brasil,
passou a significar alcunha, apodo (designação caricatural,
de ocupação, informal ou íntima). Em Portugal e nos
países hispânicos, o termo apelido conserva o significado
original de nome de família.
Indicativo do nome do lugar de nascimento do indivíduo nominado, constituindo uma referência ao local de origem, que se assinalava com a preposição de), quando se usavam dois toponímicos ambos eram precedidos da preposição (como em Francisco de Sá de Miranda) ou o primeiro levava a preposição sendo ligado ao segundo pela partícula e (como em Manuel Pereira de Castro e Silva). Em Portugal, a preposição de não significa nobreza (assinalada pelo prefixo Dom) nem sobrenome do marido (como nos sobrenomes das mulheres casadas em países hispânicos, trata-se unicamente de uma referência topológica. Com referência aos nomes portugueses, a preposição de só tem sentido nos toponímicos ou nos nomes de família de origem religiosa para indicar dedicação, pertinência, devoção; não tendo, em geral, o sentido de indicador de nobreza e senhorio, como acontece em outras culturas européias. Convém recordar que nunca se deve empregar a preposição de nos nomes de família de outras naturezas (inclusive nos derivados de patronímicos), pela irracionalidade do procedimentos e por causa da impressão de pedantismo que isto provoca. Entre as pessoas mais simples, como os camponeses ou vilões, na maioria das vezes são havia nome de família (a expressão referente a um homem ou mulher, pessoa de família) deve provir daí, para indicar superioridade social). Neste nível sócio-cultural, enquanto vivia na gleba ou localidade em que nascera, a pessoa não usava o toponímico, mas uma qualidade, atividade, característica física ou outra alcunha. Os servos e os mais pobres usavam apenas o nome e, quando conheciam seu pai e podiam proclamá-lo, ostentavam só o patronímico, além de seu nome individual. Os muito numerosos fidalgos e clérigos que tinham filhos bastardos podiam não querer que sua condição de paternidade fosse anunciada, ainda que conhecida pela comunidade. Nas camadas médias, os artezãos, pequenos e médios comerciantes, médicos e boticários, usava-se um nome e um nome de família (do pai, da mãe ou de um padrinho). Quando da conversão forçada, os judeus foram forçados a adotar nomes cristãos, Entretanto, alguns documentos conservam os antiogos nomes judeus ao lado de seus nomes originais. Eis alguns exemplos mencionados por Câmara, R.R: Abraão
...? ->> Gonçalo Dias Aos quais se pode acrescentar os mencionados por Tavares, M.J.PF. (pp 43 e 44): fulano Crescente
->> João Álvares de Santarém A escolha dos nomes dos cristãos novos récem convertidos dependeu basicamente de sua classe social e de seu universo cultural, de tal forma que cada família imitou os costumes de seu círculo de cultura. Nas pequenas comunidades rurais ninguém precida de mais de um ou, no máximo dois nomes; mas quando a comunidade cresce, o aumento da população exige mais um designativo para as pessoas. |