Objetivo

Este trabalho objetiva levantar o maior número possível de nomes de cristãos-novos portugueses e verificar a procedência da notícia de que se tratariam de nomes de vegetais ou de animais.


Procedimentos

A tarefa central aqui poderia ser obter uma amostragem de nomes de cristãos-novos (ou pessoas reconhecidas como tal pelos seus contemporâneos) a partir de textos históricos que tratem deste tema de moido confiável. O propósito de definir uma amostra rigorosa dos nomes de cristãos novos parece impossível frentes aos recursos disponíveis. Por issso, optou-se por um rol de nomes. Todos os que fossse possível levantar. E, assim, conseguir uma massa de nomes de pesoas que fossem cristãos novos ou reconhecidos como tal por seus contemporâneos.

A metodologia deste trabalho é simples demais. Simplória, mesmo. Fez-se uma lista com os nomes de pessoas mencionadas como cristãos-novos na bibliografia consultada. Livros sobre cristãos-novos ou sobre história de Portugal e Espanha e suas colônias americanas no Renascimento (inclusive textos publicados na Internet), sem qualquer outro critério de seleção, a não ser que o nome mencionado fosse atribuído a alguém tido como cristão novo (do século VX ao século XVII). Registrou-se o nome dos cristãos novos assim identificados explicitamente na bibliografia consultada e o daqueles aos quais foi atribuída esta condição, mesmo que isto não fosse verdadeiro. Considerou-se como essencial recolher nomes de pessoas a quem fosse atribuída a condição de cristão-novo.

É possível que alguns destes nomes não sejam de judeus convertidos (ou de seus descentes próximos), ainda que fossem afamados como tal. Entretanto, todos foram considerados como se o fossem cristãos novos por seus contemporâneos. O que pareceu suficiente para reconhecer seu nome como nome de cristão-novo e incluí-lo aqui.

Nesta listagem, foram desprezados os nomes repetidos, ainda que se referissem a pessoas diferentes e, eventualmente, dois ou mais dos nomes listados podem se referir a uma única pessoa cujos nomes foram grafados de modo diferente. Afinal, o objetivo pretendido era estudar a forma de denominação das pessoas de uma categoria da população, e não, estudar os indivíduos denominados com a quelas designações. Interessava, basicamente, identificar nomes usados por pessoas reconhecidas como cristãos-novos e fazer uma lista destes nomes que falasse por si mesma, de modo a possibilitar saber como haviam sido construídos esses nomes.

Sequer houve qualquer preocupação em procurar comprovar se as pessoas nominadas nas fontes consultadas seriam realmente cristãos novos ou só tinham a fama. Isto é, se eram suspeitos de ascendência judaica. Por causa dos objetivos da investigação, identificar nomes pelos quais os cristãos novos de origem judia eram denominados e assim recomnhecidos por seus contemporâneos, foram incluídos todos os que tinham fama de serem cristão novos e isto tenha ficado claronas fontes consultadas nesta investigação.

Pressupõe-se que se seus contemporâneos os confundiam com marranos (designação depreciativa, significando porcos, que os cristãos velhos atribuiam aos judeus convertidos e seus descendentes. Em havendo esta confusão, permite-se que esses nomes sejam reconhecidos com nomes de cristãos novos e incluídos aqui. Pareceu que, assim fazendo, obter-se-ia uma lista representativa de nomes de cristãos novos.

O mais superficial exame desta lista mostra o quanto é falsa a alegada utilização de nomes de árvores e animais pelos judeus portugueses que se converteram ao catolicismo (espontaneamente, alguns, e coagidos pela ameaça de morte, a imensa maioria).

Os nomes de árvores e animais denominam as famílias da região extrema da península ibérica desde muito remotamente, antes mesmo de existir Portugal, podendo-se acreditar que se trata da persist6encia de um costume cultural muito antigo de povos que habitaram a península muito remotamente.

Na verdade, quando os judeus convertidos adotaram um nome cristão (quer a conversão tenha sido voluntária ou compulsória), usaram nomes comuns e seu meio e classe social, eventualmente, os nomes de família de seus padrinhos; mas, de preferência um patronínimico ou toponímico comum, confundindo-se com o restante da população, ao menos neste aspecto. Mais tarde, com o passar do tempo, a vigilância da Inquisição e os preconceitos vigentes, passou a haver um interesse deliberado neste mimetismo cultural, tornado uma necessidade.

Neste momento deste estudo parece importante discorrer um pouco como era a estrutura dos nomes de pessoas no Portugal renascentista.

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