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Antecedentes históricos do problema Todos os historiadores concordam que a presença dos judeus na Península Ibérica remonta a tempos muito antigos. Conta a tradição que desde o tempo dos reis Nabucodonozor e Salomão já existiriam judeus na Ibéria. Bem antes de haver ali uma importante colônia cartaginesa que confrontava diretamente com os países europeus, especialmente o império romano. Depois da derrota de Cartago, os romanos assumiram o controle econômico, político e militar da península, ainda que estabelecesse raízes mais profundas e criasse instituições mais estáveis na margemmediterrânea, onde se localizavam as terram mais férteis. Ao certo, sabe-se que, depois da derrora gartaginesa, durante o governo do imperador Adriano, cerca de quarenta mil famílias da tribo de Judá e dez mil da tribo de Benjamim foram deportadas pelos romanos do Oriente Médio para povoar a Península Ibérica romanizada. E, pode-se crer que muitos deles devem ter ido para a Galiza, especialmente para o território onde, muitos séculos depois, nasceu Portugal. Os judeus consistiam em uma fração ponderável da população ibérica e conviviam ao lado das demais sub-culturas ali existentes, cultivando suas tradições, sua língua e sua religião desde antes dos cartagineses e dos romanos dominarem a península. Eram uma fração (estimada em um quinto da população total, que praticamente dobrou depois da chegada dos judeus expulsos da Espanha) operosa e pacífica do povo peninsular, vivendo integrada no conjunto e compondo, principalmente, as camadas médias. Constituiam uma fração fortemente urbanizada do povo português, exercendo o comércio, os ofícios e o serviço público. Totalizando de um quinto a um terço da população total do país. Foi assim, até que os bárbaros cristãos (geralmente germanos e eslavos cristianizados recentemente) passaram a dominar a região depois do colapso do Império romano. Sob a dominação dos reinos suevos, a situação dos judeus foi relativamente estável. As perseguições se iniciaram com a hegemonia visigoda. Os visigodos eram um povo germânico que dominou a ibéria até ser derrotado pelos árabes mulçumanos; professavam a versão arriana do cristianismo e depois se converteram ao catolicismo, quando passaram, a discriminar e a perseguir os judeus. Depois da invasão árabe, os judeus voltaram a ser bem tratados pelos governantes da maior parte dos reinos árabes. Desde que pagassem pontualmente seus impostos, inclusive um importo por ser descrente, e não afrontassem os dogmas islâmicos, podceriam viver em paz. A reconquista pelos cristãos trouxe-lhes novas perseguições que culminaram com a conversão forçada nos reinos de Leão, Castela e Aragão e, depois, em Portugal. Foi quando surgiram os cristãos-novos de origem judia e moura. De fato, pouca gente parece saber que denominavam-se cristãos-novos tanto aos mouros (árabes) quanto aos judeus que viviam no território português depois da reconquista pelos reis cristãos. Os árabes que poderam fazê-lo migraram para suas terras de origem ou para outros estados islâmicos no norte da África. Mesmo que, a não ser pela discriminação social, ou mouros foram pouco perturbados e, até, se lhes facilitou a passagem para nmigrarem dos reinos cristão. Com os judeus, foi diferente, foram obrigados a se tornarem católicos, sob pena de morte, pelo rei D. Manuel de Portugal, em 1497. Esta medida política (que assinalou o início da decadência portuguesa) tem sido explicada por razões pessoais (a beatice da rainha) e razões geopolíticas (a unificação étnica do reino português). Entretanto, se esta última explicação foi certa, foi contrariada pela institucionalição do conceito de cristão-novo (fator discriminador que pertubou ainda mais a unidade nacional que a motivara). Assim, constrangidos a mudarem de religião e a serem batizados, em uma época que a religião era mais importante que a nacionalidade para definir a identidade pessoal e a sua situação social na comunidade, os judeus tiveram que assumir novas identidades, começando por terem que assumir novos nomes individuais e novos nomes de família. Além da conversão forçada (que pretendia objetivar a integração dos judeus na sociedade portuguesa, depois da morte de D. Manuel, passou a haver muita discriminação e uma violenta campnha depreciadora sobre os neo-convertidos e seus descendentes. Proibiu-se-lhes acesso ao clero, aos empregos públicos e às ordens religiosas e militares. Acumularam-se as humilhações para os que tentavam se integrar. Duas reações muito comuns foram a dissimulação da origem e a fuga para as colônias americana (onde sua integração era mais fácil e havia mais possibilidade de fugir à Inquisição. Chegando à América portuguesa, os os cristãos novod mais ricos se deixaram ficar nas zonas mais ricas Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Enquanto os mais pobres (e, geralmente, mais comprometidos com a resistência cultural) se refugiaram nos lugares mais ermos (São Paulo, o extremo norte, especialmente no Ceará, e o extermo sul, no atual Rio Grande do Sul e certas regiões mais distantes da Argentina). Talvez porque ali não havia bispados. E fosse mais barato sustentar os párocos mais pobres que ali viviam A conversão forçada foi agravada pela proibição real de que os judeus imigrassem (provavelmente, por causa de sua importância para a economia do país). A conversão compulsória implicava em que os judeus portugueses tivessem que abandonar seus nomes característicos, sendo constrangidos a adotarem nomes e sobrenomes "cristãos". Em geral, inventaram novos nomes, os mais comuns entre o povo, ou adotaram os nomes de família de seus padrinhos do batismo católico. Aparentemente, ao menos nos casos mais relacionados com o Brasil, a maioria optou por nomes de lugares, patronímicos e apelidos de família muito comuns derivados de alcunhas (como se poderá verificar compulsando a lista de nomes. Com a conversão forçada passaram a existir em Portugal três tipos de pessoas de origem judaica. Os convertidos espontaneamente antes do decreto de D. Manual (que se confundiam com os outros elementos da população e, ao menos em tese, desfrutavam todos os direitos dos cristãos velhos); os neo-convertidos que não ofereciam resistência e buscavam se integrar na comunidade cristã; e os neo-convertidos que resistiam à conversão e procuravam conservar seus elementos culturais distintivos (os cripto judeus). Estes dois últimos grupos eram denominados de cristãos-novos. Todos os novos conversos tiveram que mudar o seu nome, deixando as nominações comuns entre os judeus e adotando nomes cristãos. |