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A loucura na arte

O Grito, de Munch

O Grito (1893).Edvard Munch (1863-1944).Óleo, têmpera e pastel em cartão, 91 x 73.5 cm . Galeria Nacional (Oslo)

Há na história da arte inúmeros registros de artistas que foram afetados pela loucura. Insanos também foram retratados por alguns pintores. A perturbação mental influenciou sobremaneira a vida de Edvard Munch.
Em 1890, Munch esteve internado durante dois meses em Le Havre, Franca, para "tratamento nervoso". Tratou-se também na Suíça, em 1900, e em Bad Elgersburg, Turíngia, cinco anos depois, onde foi diagnosticado como portador de grave neurastenia. Ao pintar pela primeira vez O Grito (1893), ele expressou (expressionismo) o seu cotidiano inferno interior e o mal-estar que a loucura lhe causava.
O gesto de Munch tapando os ouvidos, como vimos, foi posteriormente repetido por sua irmã Sophie nos quadros A Mãe Morta e a Criança, de 1899, e A Mãe Morta e a Crian,ca, de 1900.

O Louco, de Picasso

O Louco (1904).Pablo Picasso (1881-1973).Aquarela sore cartolina, 85 x 35 cm .Museu Picasso (Barcelona)

Pablo Picasso (1881-1973) também retratou um alienado. A aquarela sobre cartolina, pintada durante a denominada "fase azul" do artista, chama-se O Louco (1904). Trata-se de um doente mental que perambulava pelas ruas de Barcelona. (Aquele insano, com membros superiores e inferiores chamativamente longos, esqueléticos e deformados, lembra uma pintura do astigmático El Greco (1541-1614). 0 Louco encontra-se no acervo do Museu Picasso, em Barcelona.
Um alienado mental foi também pintado por Diego Rodriguez de Silva y Velázquez (1599-1660): dom Juan Calabazas, também chamado "o bobo de Coria", ou Calabacillas (1639). Sua doença não parecia ser grave, visto que recebia salário por prestar serviços ao cardeal-infante dom Fernando de Áustria, mais tarde rei de Espanha.

Retrato do Bobo Juan Calabazad (1639).Diego Velazquez (1599-1660).Óleo sobre tela, 106.5 x 82.5 cm.Museu do Prado (Madrid)

A Transfiguração (1520). Rafael Sanzio (1483-1520).Óleo sobre painel 405 x 278 cm .Pinacoteca Apostólica do Vaticano (Vaticano)

Epilepsia e loucura

No passado, muitos casos de epilepsia foram interpretados como sendo de loucura. No óleo de Rafael Sanzio (1483-1520) intitulado A Transfiguração (1520), é mostrado um adolescente com sequelas de meningite, epiléptico, presenciando a cena em que Jesus Cristo conduz Tiago, Pedro e João a uma montanha. O rosto do Cristo resplandece como o sol, suas vestes tornam-se incandescentemente brancas e os apóstolos vêem ao seu lado os profetas Elias e Moisés.
A luminosidade da eternidade se confunde com a aura do enfermo. Este urra em um grito epiléptico, revira os olhos e estende os membros superiores, deixando sua forte musculatura em franca evidência. Os que o cercam apontam-no para Jesus clamando por sua cura, fazendo-nos lembrar os versículos de São Mateus:
"Senhor, tem misericórdia de meu filho, porque ele é epiléptico e está enfermo, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água, e eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar." (Mateus 17:14-16)

Pormenor de A Transfiguração


Epilépticos na obra de Rubens

Na tela Os Milagres de Santo Ignacio de Loyola (1618), de autoria de Pieter Pawel Rubens (1577-1640), também são mostradas personagens epilépticas. Em 1540, Santo Ignacio, contando com o apoio do papa Paulo III, fundou a Companhia de Jesus, ou melhor, a Ordem dos Jesuítas. Esta é a razão pela qual a referida tela decorou, até 1776, o altar-mor da Igreja dos Jesuítas, hoje chamada Igreja de São Carlos Borromeo, situada na cidade de Antuérpia, Bélgica.

Os Milagres de Santo Ignacio de Loyola (1618).Piter Pawel Rubens (1577-1640).Óleo sobre tela , 535 x 395 cm Kunsthistorisches Museum (viena)

Pormenor de Os Milagres de Santo Ignacio de Loyola


A pintura em grupo evidencia Santo Ignacio rezando missa na presença de alguns religiosos. Ele eleva os olhos ao céu, põe a mão esquerda sobre o altar e, com a direita, abençoa os doentes que imploram por um milagre curativo. Dois desafortunados são os protagonistas absolutos da cena: uma mulher dando um grito epiléptico e um homem se debatendo no solo em convulsão. Eles criam uma cena de dramática beleza artística. Cor, luz e perspectiva mostram a tremenda influência da Escola Veneziana na pintura de Rubens, nascido na Vestifália e falecido em Antuérpia. Santo Ignacio, espanhol de nascimento, faleceu em 1551 e foi canonizado em 1862.

Pormenor de Os Milagres de Santo Ignacio de Loyola

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