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  Opinião  

O Médico no Século XXI

De Gerenciamento Humano a Acreditação Hospitalar
Wanderly Silva Serrão (1) _ wanderly.vix@zaz.com.br

"O Homem de Sucesso não é tão somente aquele que já obteve êxito na vida e o detém, mas igualmente, aquele que busca conquistá-la incansavelmente, dado que, livre é aquele que se sente escravo de um ideal."

 

Fosse eu, Flávio Cavalcanti (2), diria sobre a frase supra citada: Li não sei onde, guardei não sei por que? Nem tanto assim, afinal - presunção à parte - tenho buscado incansavelmente viver com qualidade, o que não deixa de ser uma busca pelo sucesso, ainda que interior. Desafios múltiplos nos aguardam nos próximos trinta anos. É necessário repensar sem descanso, o modelo das Instituições de Saúde, basta observar o que Peter Senge: "...mais turbulência, mais estresse, desconexão e competição interna. As pessoas trabalharão mais, sem no entanto, aprender a trabalhar melhor. Aumentarão os problemas que nem o indivíduo nem a empresa podem resolver." É possível, no entanto, inviabilizar este vaticínio. Se dispusermo-nos à mudança constante estaremos mais próximo do desenvolvimento, e todo desenvolvimento resulta de processos que o potencializa e outros que o limitam. Esses processos limitam nossas capacidades coletivas de aprendizagem. Quando, no entanto, adquirimos, individual e coletivamente, capacidade de construir aspirações comuns, conseguimos o almejado comprometimento em relação à mudanças. Afirma Peter Senge: "Os processos de mudança costumam restringir-se a trabalhar com o crescimento, e não com seus fatores limitantes. Não há nada de errado com incentivar o comprometimento e direcionar a energia em busca da realização própria e coletiva, mas nada cresce com elementos que a restrinjam."

Em outubro passado, após 18 meses de estudo, finalizei o curso de pós-graduação em "Auditoria em Saúde", tendo escolhido como tema para monografia "Acreditação Hospitalar". Como trabalho de campo, eu e quatro outros colegas _ aqui o inusitado: Monografia a cinco pares de mãos _ contando com a generosa compreensão e efetiva cooperação de duas unidades hospitalares (que a ética nos impede de identificá-las), e tomando como referência o "Manual Brasileiro de Acreditação", analisamos criteriosamente todos os itens de avaliação constantes do manual. Muito embora os Hospitais por nós avaliados, vêm cumprindo com dignidade seus papéis enquanto prestadores de serviço no segmento saúde, se esmerando sempre na tentativa de oferecer o melhor possível em recursos materiais e humanos, apesar dos parcos recursos; não seriam contemplados com "Acreditação", sequer no Nível 1.

Foi então que percebi ao concluir a monografia que meu trabalho não se encerrava ali; ao contrário, precisava mais do que nunca atuar como arauto junto aos meus colegas médicos, convidando-os a refletir sobre "Acreditação Hospitalar", uma das alavancas para futuras mudanças. Mas e daí, bastava sugerir a busca da Acreditação em qualquer Instituição de Saúde para que pudéssemos atingir o sucesso? É necessário motivar, estabelecer um programa de desenvolvimento! Então, fui buscar no Conselho Canadense de Acreditação Hospitalar, "Indicadores de Performance"! Bom, agora estávamos prontos para implementar Acreditação, certo? Lêdo engano; nos obrigou a estarmos "Repensando a Saúde"! É, mas mudanças não são fáceis de se processar, então compilei "Reflexões de Peter Drucker", em vários dos seus estágios, enquanto agregava a ele um trabalho por mim publicado em Femina/1991: Marketing na Prática de G.O Finalmente, estava pronto? Não ainda, era necessário provocar reflexões sobre "Desenvolvimento de Qualidade". Ufa! Agora sim, trabalho terminado, certo? Não sem antes refletirmos sobre "Gerenciamento Humano".

Pois é, no início do artigo cito Flávio Cavalcanti, que como compositor produziu esta pérola: "Entre as manias que eu tenho, uma é gostar de você. Mania é coisa que a gente tem, mas não sabe por que? Mania de querer bem, mania de falar mal. Mania de não dormir, sem antes ler o jornal! De guardar fósforo usado, dentro da caixa outra vez! De contar, contar, sempre aumentado, tudo o que viu ou que fez. Olhe meu bem, eu tenho várias manias, delas não faço segredo: quem pode ver tinta fresca, sem logo passar o dedo...Eu, devo confessar que eventualmente não me contenho e começo a leitura de jornais, por exemplo, da última página para a primeira. Foi então, que inconscientemente talvez, tenha dado início a elaboração do curso "Médico no Século XXI _ De Gerenciamento humano a Acreditação Hospitalar", a partir de Acreditação. É, não tenho dúvidas de quão espinhoso possa ser o caminho que nos leva ao desenvolvimento de qualidade, no entanto quando disponibilizo ao colega médico este curso e passo a contar com a chancela da Associação Médica; Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos do ES, disso muito me ufano, e me dou conta de que vale a pena lutar por um ideal.

Com a certeza do grau de intelectualidade do colega médico, não me disponho a lhe oferecer um novo e belo caminho para a felicidade, mesmo porque esta semana tão somente de cada um de nós; o que proponho no entanto, é que façamos uma reflexão sobre a inexorabilidade e o aproveitamento de nosso tempo versus a ação que priorizamos. E mais, esta ação quando a desempenhamos, o fazemos com eficácia? Os profissionais de saúde têm no mais das vezes, a exata noção do quantitativo de informações que detém, e como estas são amalgamadas em um conhecimento diferenciado. Diante dessas assertivas, só nos resta perguntar: Temos conhecimento das necessidades de mudanças? As queremos? Se positivo, estamos entusiasmados?

"Diga-me e esquecerei; Ensine-me e aprenderei; Envolva-me e recordarei! B. Franklin (1) Médico Gineco-Obstetra _ Lotado noAmbulatório de Lesões Pré-Neoplásticas/Departamento de G.O/Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM)/UFES; Pós Graduado em "Auditoria em Saúde"(Universidade Gama Filho/UNIMED) (2) Polêmico apresentador de TV dos anos 50/60 _ Responsável por vários programas, dentre eles: "UM INSTANTE MAESTRO" e Compositor musical _ "Manias"