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Mudança de Filosofia
Antes
da abordagem do contexto, gostaría-mos de esclarecer
nosso título para evitar que, a título de pura
semântica, nossa intenção seja mal interpretada.
A Filosofia, amiga da sabedoria, é considerada a mãe
das ciências, por estar em sua essência, a busca
pela verdade. A análise da realidade, que serve de
substrato para as conclusões do raciocínio lógico,
mesmo nas relações humanas, nas quais o "lógico"
pode parecer absurdo ou utopia, mesmo aí, a Filosofia
nos ajudará a trilhar os melhores caminhos e atingir
nosso objetivo da melhor maneira possível. A Filosofia
da religião única, unindo árabe e judeu,
pode estar distante, mas é uma séria questão
para a humanidade repensar.
Em
nosso caso, a preocupação refere-se à
ética e a interpretação que pode ser
feita em relação à mudança citada.
Mesmo em relação à ética que alguns
pensam ser definitiva, devemos alertar que nosso código
de ética já foi por vezes alterado, assim como
nossa Constituição. Ética, do grego Ethos,
e Mores, do latim, referem-se a costumes e comportamento,
aliás, nossas leis nada são a mais do que a
definição legalizada do que consideramos - bons
costumes - . Temos que considerar que, bons costumes são
tipos de comportamentos humanos considerados bons para a sociedade.
Hamurabi,
na cidade mesopotâmica da Babilônia, em 1790 antes
de Cristo, fez o que consideramos o primeiro código
de leis registrando bons costumes para o bem da sociedade.
Neste código já se previa pena para danos aos
cidadãos, provocados por profissionais que se propunham
a exercer atividades curativas, hoje, atividades médicas,
que Deus nos livre das punições "éticas"
do Código de Hamurabi, que absorve o espírito
da lei de Talião. Na Idade Média, os costumes
homossexuais das civilizações antigas foram
proscritos e atualmente em torno das discussões dos
direitos humanos e preconceito contra as minorias o assunto
volta à baila, pois já temos dúvida se
a discussão trata mesmo de minorias. Portanto, costume
vira lei, independente de preconceitos antigos.
No
caso dos Conselhos de Medicina,
que eram entidades quase místicas com a finalidade
única de punir os "maus médicos",
deparamos com uma lei que diz: "entidade responsável
pela fiscalização da qualidade dos serviços
médicos oferecidos à sociedade". E é
justamente nesta diferenciação que reside a
Mudança de Filosofia proposta. Ao fiscalizar a medicina,
os Conselhos de Medicina não podem ater-se exclusivamente
aos médicos, pois eles não atuam sozinhos, nem
são, necessariamente, donos das estruturas e infra-estruturas
que se propõem a oferecer serviços médicos.
Neste ponto a interpretação pode ser perversa,
pois não podemos aceitar que interesses escusos sejam
alegados para que uma qualidade inferior de atendimento médico
possa ser aceito como ético pela sociedade, cabe-nos,
como entidade especializada, alertar aos governos e à
sociedade as mazelas que lhes são oferecidas. Dentro
deste contexto, vale lembrar que o médico também
é cidadão, e no que se refere a direitos da
cidadania, os Conselhos de Medicina têm a obrigação
de defendê-los.
Temos
um código de ética que, em seu artigo 86, diz
que o médico não pode aceitar honorários
vis e extorsivos. Como poderemos julgá-lo sem ter um
parâmetro que especifique o que é vil? Os Conselhos
de Medicina sempre se abstiveram das discussões sobre
honorários profissionais, deixando a polêmica
para as associações médicas, aliás,
seria mais confortável adotar como ético um
costume já existente na classe médica, a Tabela
da AMB. Porém, interesses do poder financeiro e mercantilista
conseguiram por meio de pressões políticas,
marginalizar um costume moralmente aceito. Se retornarmos
em nosso raciocínio de comportamento, bons costumes
e cidadania, podemos ver que o médico foi atingido
em sua cidadania e, portanto, é dever do CRM defender
esta cidadania. Queremos reforçar o enfoque da cidadania
evitando a confusão com defesa profissional que, esta
sim, não tem sentido de ser discutida dentro dos Conselhos.
Portanto senhores, semântica à parte, mudamos
sim, nossa Filosofia de ser, preocupando-nos mais objetivamente
com os interesses da sociedade.
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